sexta-feira, 16 de março de 2012

A empresa tem Corpo, mente & ALMA

Uma empresa tem o seu progresso comprometido pelo fato de que os seus gestores não a compreendem como um organismo vivo, dinâmico, inteiro e em permanente necessidade de desenvolver a tríade corpo/mente/alma.
O corpo é aquilo que ocupa a maior parte do dia-a-dia da empresa: materiais, produção, produtos, estoques, vendas, duplicatas, caixa, lucro ou prejuízo. É a parte material da empresa, formada por mercadorias, serviços, papéis, relatórios, documentos diversos. A parte corpo forma a empresa-objeto.A mente é considerada a parte filosófica da empresa, traduzida em sua razão de ser, em sua definição de negócio, em seus diferenciais competitivos, na compreensão das necessidades dos clientes, das tendências de mercado e das oportunidades. É a parte da empresa que pensa e, portanto podemos denominá-la de empresa-inteligente.E a alma, é o que nos faz lembrar que uma empresa é formada por gente. Nesse sentido, a qualidade dos relacionamentos, a motivação, a comunicação, o trabalho de equipe formam a parte da alma da empresa. É a empresa que sente e portanto podemos denominá-la de empresa-sensível.Mas esses três ingredientes devem ser dosados em equilíbrio para que se tornem uma boa receita de sucesso na busca constante das empresas por competitividade e resultados positivos, caso contrário:As empresas que usam em demasia o corpo e negligenciam a mente e a alma, conseguem ainda assim ser circunstancialmente prósperas, principalmente para aqueles que acreditam que o principal medidor do sucesso é o dinheiro.A essas empresas dá se o nome de empresas-objetos. Para essas empresas o principal número é representado pelo faturamento, e o sucesso significa dinheiro em caixa, não importando se a relação com o mercado é consistente e muito menos se o grau de satisfação das pessoas é bom ou não. É, sem dúvida, o maior número de empresas existentes, algumas de sucesso rápido, outras de fracasso precoce, em geral todas muito enfadonhas por falta dos outros elementos da tríade.Na empresa-objeto recursos de todos os tipos (materiais, tecnológicos, financeiros) têm mais valor do que as pessoas, que são quem coloca tais recursos em funcionamento.O corpo é a parte visível da empresa. É também onde os problemas são visíveis em seus sintomas, mas nem sempre em suas causas. É por isso que muitas empresas ficam estagnadas e perpetuam seus problemas, uma vez que não conseguem enxergar as causas não visíveis, geralmente explicadas pelos outros elementos da tríade.O corpo pode ser melhorado permanentemente. As ferramentas que determinam os níveis de liquidez, lucratividade e rentabilidade permitem isso.Já as empresas que priorizam a mente e não valorizam na medida certa o corpo nem a alma. Conseguem obter sucesso nos primeiros dias de existência, mas passam a ter problemas quando começam a crescer. Também obtêm sucesso quando as idéias são realmente geniais e surpreendem o mercado com produtos e serviços inovadores.Formadas por pessoas empreendedoras, visionárias e com capacidade de perceber as tendências e as oportunidades do mercado, estagnam-se ou sucumbem quando o negócio começa a demandar controles gerenciais ou formação de equipe. Para que seu sucesso seja permanente, faltam-lhes corpo e alma. A falta desses elementos transforma empreendedores em sonhadores e empreendimentos geniais em pesadelos empresariais.As tarefas operacionais nem sempre são valorizadas na empresa-inteligente. O que conta são os insights, a competição acima de tudo. A emoção é tida como inimiga da razão, e na empresa-inteligente prevalece a racionalidade das decisões.A criatividade é insumo vital para a sobrevivência e a competitividade das empresas nos dias de hoje. O raciocínio lógico é limitado para criar e, muitas vezes, é limitador da própria criatividade. O processo criativo é um caminho espiritual. É quando a mente necessita socorrer-se da alma.A mente é, portanto, a terceira parte da tríade que garante o futuro da empresa. A empresa-objeto é um passatempo; a mente é que dá rumo, direção, destino, sentido.O fato concreto é que as empresas, seu produtos, suas estruturas organizacionais e outros fatores que fizeram sucesso no passado não são mais garantias de sucesso futuro. É por falta de mente que muitas empresas de corpos esbeltos sucumbiram diante da perplexidade de seus dirigentes.A maior limitação da mente, entretanto é fazer com que as coisas sejam feitas. É por isso que muitos empreendedores acabam por engavetar ou vender suas idéias: por não saber ou não gostar das funções da alma que tratam de fazer com que as coisas sejam assumidas, incorporadas e apoiadas. É necessário que haja a alfabetização do negócio e, embora a mente saiba criar a definição de negócio, é a alma que cuida do aprendizado de fazer o negócio acontecer.A mente provoca e estabelece mudanças. Enquanto o corpo prefere uma empresa estática, a mente prefere uma empresa dinâmica. Mas entre querer mudar e poder mudar existe uma distância completada pela alma. A mente não sabe lidar com resistência a mudanças, típica das empresas que se descuidam da alma.É verdade que ainda não inventaram uma máquina que cria, imagina, sonha!O ser humano, tão relegado nos primórdios da industrialização, pousa triunfal na onda do patrimônio intelectual das empresas!As empresas precisam de suas idéias, assim como o produto acabado precisa da matéria-prima. Criatividade passou a ser um dos principais insumos com que pode contar uma empresa com visão de futuro. Mas a presença física das pessoas, apenas, não garante criatividade. "Pessoas-objetos", "pessoas-máquinas", "pessoas-normas", "pessoas-imaturas" não criam. Muitas nem mesmo se sabem criativas. As pessoas só colocam seus talentos criativos à disposição da empresa se estiverem dispostas. Elas é que decidem! Essa é a liberdade suprema.Mesmo que estejam rigorosamente supervisionadas, com câmeras de TV policiando seu trabalho, com revistas nas portas de saída das fábricas, nenhum cerceamento tem o menor poder sobre a liberdade de escolha o BBB da vida real. E criar é uma escolha que as pessoas só estão dispostas a fazer quando se sentem comprometidas com a causa da empresa. Para que haja comprometimento e criatividade, é necessário que haja alma.A alma faz de fato a diferença! Dela emana a energia que faz uma empresa sobrepor-se a outro no mesmo mercado, na mesma economia, diante dos mesmos obstáculos. Até porque cada empresa possui sua equipe, e cada equipe tem sua alma; não existem empresas com almas iguais. Cada uma tem sua peculiaridade, que a faz diferente de todas as outras. É a alma que explica sucessos sem causas visíveis.Uma das características das empresas com alma é que possuem a missão de servir: aos clientes, aos colaboradores, aos acionistas. O objetivo de "estar a serviço" cria uma cultura na empresa em que todos se interessam em servir. Querer contribuir é diferente de querer extrair. Empresas que só querem extrair lucro do mercado criam colaboradores que também só querem extrair da empresa. Por outro lado, as empresas que têm o objetivo de contribuir criam equipes contributivas. Como que por recompensa, tais empresas são as mais lucrativas e as pessoas são mais bem preparadas e remuneradas. Mas a maior recompensa que as pessoas ganham em contribuir é a auto-realização e a elevação da auto-estima. Não pode haver recompensa maior.No entanto, o sucesso depende do equilíbrio entre os três elementos, corpo, mente e alma, e daquilo que podemos chamar de empresa-plena.Na empresa plena existe equilíbrio entre as partes. Esse equilíbrio cria um ciclo vital e de auto-reforço em que as principais resultantes de cada ponta do triângulo (rentabilidade, competitividade e criatividade) potencializam as outras e assim sucessivamente.A empresa é formada por processos, estrutura, métodos e procedimentos. É também formada por produtos, clientes e mercados. E é ainda formada por sentimentos e emoções. O intercâmbio energético disso tudo forma a empresa-plena.A empresa-plena fará a diferença em cada mercado que atuar, em qualquer regime econômico, quaisquer que sejam as regras do mercado. Nada conseguirá deter a junção das forças do corpo, da mente e da alma.

Marcelo Costa
Consultor da Link Consultoria
Professor da UNEB




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