Em nossas atividades nos deparamos com diversas situações em que micro e
pequenos empresários se defrontam com sérias dificuldades em suas empresas,
simplesmente porque não se dedicaram a focar a atenção e utilizar critérios
adequados na gestão financeira dos seus negócios, o que nos faz lembrar uma
estória de pescador.
Certa vez, um pescador que tinha uma vida difícil com sua família,
típica de pescadores, saiu para pescar e, no mar pensava sobre que jeito daria
para melhorar a sua condição de vida. Enquanto jogava a rede e esperava que os
peixes ficassem presos nela, teve uma ideia que lhe iluminou os olhos e disse:
Se eu pesco muito ou pouco a minha família passa com o que eu pescar... Então,
dos peixes que pescar a partir de agora, na praia vou dividir em três montes. O
primeiro monte vai ser o do barco; o segundo monte será das redes e; o terceiro
monte será o meu, do pescador. Com dinheiro que ganhar do monte do barco, vou
gastar melhorando o meu barco; com o dinheiro que ganhar com o monte das redes,
irei comprar novas redes e; com o dinheiro ganho com o monte do pescador, vou
sustentar a minha família.
Decidido, na praia começou disciplinadamente a praticar o plano
concebido durante a pescaria daquele dia e, dia a dia, assim procedia. Com o
tempo, com o dinheiro do barco, comprou novo barco; com o dinheiro das redes
montou um estoque de novas redes para os barcos e, manteve a sua família dentro
de um padrão de renda que melhorava a medida que incrementava as pescas com
mais pessoas trabalhando com o seu equipamento de pesca.
Aos pescadores que não tinham barcos, ou que os tinha estragado e não
serviam mais para o trabalho, o procedimento era sistematicamente o mesmo: Se o
pescador tiver rede, leva o monte do pescador e monte da rede e paga a parte do
barco; se o pescador não tiver rede, além da parte do barco, pagará a parte das
redes.
Foi uma forma simples de se capitalizar e melhorar o padrão de vida da
família. De forma prática o que o pescador fez foi uma forma simples de gestão
financeira utilizando a técnica do “APROVISIONAMENTO”, de cuidar do dinheiro,
que hoje se diz: “fazer POUPANÇA.”
Contudo, a gestão financeira exige um pouco mais de técnica, o que logo
nos vem a mente uma nomenclatura técnica de indicadores que são exatamente, os
reflexos dos parâmetros adotados ou não na gestão de negócios. Ao partirmos da
idéia do investidor, o primeiro critério a considerar é o prazo e a taxa de
retorno para remuneração do capital, que em uma empresa passam a ser
parâmetros, cujos indicadores espelham exatamente em quanto tempo o capital investido
deverá ser devolvido ao investidor, ou reinvestido no negócio, proporcionando o
seu crescimento.
Ao considerarmos que na atividade empresarial, a taxa de retorno está
diretamente relacionada e atrelada a lucratividade do negócio, esta última, por
sua vez, está diretamente em função da capacidade da empresa de gerar lucro,
resultado de variáveis externas, como o volume de vendas e, internas como o
volume de custos e despesas do período.
Diante disto, já começamos a perceber que se fazem necessários critérios
para gestão financeira, uma vez que na atividade há outros vínculos
operacionais como com fornecedores e outros compromissos com terceiros, que
exigem igualmente, a devida remuneração ou quitação, cujos custos se expressam
sob a forma de taxa de juros, direta ou indiretamente embutidos nos custos de
aquisição.
Logicamente, para que os negócios possam ser geridos de forma saudável e
tranqüila, uma prática que anda meio esquecida se faz necessária: A Provisão de
Recursos.
Numa linguagem mais simplificada, o conto da cigarra e da formiga, nos
dá a idéia do que seja provisão. O cuidado de reservar recursos para garantir a
quitação de compromissos futuros, o que exige uma ferramenta consagrada,
extremamente importante, O FLUXO DE CAIXA. Utilizado como Previsão de Caixa ou
acompanhamento do Fluxo de Caixa, esta ferramenta permite-nos avaliar e
identificar quanto de recursos devem ser “aprovisionados” a fim de garantir a
Liquidez, ou capacidade de liquidação de compromissos assumidos com
fornecedores e outros.
No entanto, como parâmetros para se manter a solidez financeira de um
pequeno negócio faz-se necessários alguns cuidados, como manter sob controle
rígido, determinados itens patrimoniais como:
a)Na gestão de estoques: O volume de composição deve durar
até dois meses e o valor total nunca deve ser superior a soma de quatro meses
de faturamento;
b)Na gestão das Contas a Receber: O volume de composição deve ser
menor que 25% do total aplicado em estoques, de preferência. Não deverá
ultrapassar a 3 meses de prazo;
c)Na gestão patrimonial: O volume de investimentos em
estrutura física, imóveis, máquinas, equipamentos, mobiliário, etc., não deve
ser maior que 60% do total dos Ativos, ou do que o total dos recursos próprios
e de terceiros aplicados na empresa;
d)Na gestão de Contas a Pagar: Quanto ao volume total de
endividamento (curto prazo) é de bom alvitre que o total deste valor nunca
exceda ao total dos recursos próprios aplicados, ou ainda, nunca deveria ser
maior que o total aplicado ao Capital de Giro da empresa. Uma vez que o
endividamento exceda a estes parâmetros, fica claro o estado de insolvência da
empresa, que passa a ter dificuldades de honrar os compromissos.
No entanto, quanto a Gestão das Vendas e do Caixa, deve-se considerar a
prática sagrada e disciplinada de sempre reinvestir até entre 40% a 50% do
faturamento na reposição de estoques. Em seguida, cumpre-se a quitação dos
impostos, salários e encargos, para em seguida, quitar com as despesas gerais,
inclusive, deixando o Pró-labore para ser retirado depois que se realizou o
pagamento dos salários.
Somente depois de adotados estes critérios é que se direciona os
recursos excedentes que compõe o lucro para quitação de endividamento e
investimentos com aquisições em imobilizado.
Para tanto, a prática de “Aprovisionar”, fazer reservas exige
planejamento utilizando e analisando o Fluxo de Caixa.
Adm. Deraldino Lima Santos
CRA 5807
Consultor Senior Link Consultoria





Deraldino,
ResponderExcluirFicou muito interessante a forma como foi feita a abordagem do texto.
Parabéns!!